Pérolas do Rádio....
...Literalmente, salvo por um fio
Baseado em fato real. Ficha técnica: Rádio Cultura AM 690 khz. Cidade: Narivaí/MS. Personagens: eu, o Soares Filho (Fantasminha), Josafat Marques (Negão do Zaire), Ferreira Costa (Cacique e Pagé) e a Polícia Militar. Este acontecimento, em 1989, foi um dos fatos marcantes na minha passagem vitoriosa por Naviraí, Capital do Cone Sul, de MS. Estava com pouco mais de um ano na nova cidade onde fui contratado por meio do meu amigo Soares Filho para fazer parte da equipe esportiva da Rádio Cultura. O Vinicius da hoje famosa dupla João Bosco e Vinicius era pequeno, seu pai Teobado Karlink era sócio-proprietário de uma serraria e também presidia a Sociedade Esportiva Naviraense (SEN). O município vivia o apogeu por ter vencido a segunda divisão do Estadual de Futebol e o clima era de euforia em todos os quadrantes da sociedade. À rádio mantinha uma unidade móvel para reportagens externas, um fusca ano 1984/85. O veículo era conduzido pelo Soares, Josafat ou pelo Ferreira da Costa. Eu não tinha carteira de habilitação, mas uma sede medonha de dirigir, aliás, já sabia manusear um volante pela experiência adquirida em tratores durante trabalho em fazendas.
Numa certa manhã cheguei na rádio por volta das 7h30 para preparar os boletins esportivos para o programa Cultura nos Esportes que começava a partir das 11h30. Antes, porém, apresentava o programa matinal Estúdio 402 que ia ao ar das 9h às 11h. Ao adentrar no portão da emissora notei que a chave estava no contato do fusca e o Soares Fantasminha na sala de jornalismo, o Ferreira comandava a mesa de som e o Josafat não estava no pedaço. Não deu outra, sem pestanejar abri o portão, acionei o motor do fusquinha ganhei a Avenida Weimar Gonçalves Torres e rumei para minha casa que ficava uns mil e quinhentos metros dali, mas só por farra. Ao descer a avenida central e adentrar ao redondo da Praça Central para minha surpresa e degola deparo com uma blitz novinha da Polícia Militar com homens espalhados por toda parte, camburão fechando as entradas, era uma situação vexatória, sem chance de sair. Meu espanto foi maior quando o policial acenou para parar o veículo. E daí? O que fazer? Correr não dava! Escapar não tinha como! Ao frear o fusquinha meio afogando mais do que depressa puxei o microfone da externa e desci como se estivesse entrevistando o sargento. Ainda me recordo das frases que falei ao graduado: bom dia, estamos no centro da cidade, quando a Polícia Militar monta uma blitz com objetivo de tirar de circulação veículos irregulares. É isso mesmo sargento? E o policial coitado sem saber que estava sendo enganado respondeu esta e outras perguntas formuladas naquele momento de susto. Acabei de falar com o policial entrei no fusca, subi pela Avenida Dourados em direção ao Estádio Municipal até a Rua Sergipe entrei à direita e cheguei na emissora que só Deus sabe como. Ainda bem que não tinha ninguém com rádio ligado por perto senão a guanxuma iria arder no lombo além da demissão que certamente ocorreria. Ninguém ficou sabendo dessa presepada. Passado algum tempo contei para o Soares e ai foi o mesmo que contar para a torcida do Flamengo e a do Corinthians...
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