Coluna Silva Júnior

 

Cadê os nossos campos?...

 

Em décadas passadas principalmente 70/80, Dourados contava com campos de futebol em quase todos os bairros da cidade, mas para desespero das gerações, o crescimento assombroso do Município não teve o mesmo ímpeto nesse segmento. Atualmente, a segunda cidade do Estado com aproximadamente duzentos mil habitantes, vive a mercê da sorte e não conta nem mesmo com os chamados “terrões” em vários dos seus principais bairros. Por exemplo: Água Boa, Grande Flórida, Grande Ouro Verde, Vila Industrial, dentre outros.

Como explicar um bairro como o Água Boa com mais de 30 mil habitantes, maior que muitos municípios sul-mato-grossenses, não dispor de um local adequado para as crianças, adolescentes e adultos praticarem suas “peladinhas” de final de tarde e de semana?  Outrora, a comunidade contava com o campo do palmeirinha, hoje habitado por famílias que não tem nada a ver com isso. O mesmo ocorre na região da Vila Matos, no antigo Velosão foi edificado um residencial fechado. Mesma situação do Vidrão ou Beira Zona, na Rua Cuiabá.

Essa é a realidade do campo do Ajax no Ouro Verde e dos campos da vila Guanabara e da Recap. Em todos os locais estão edificadas casas residenciais. Nada contra se o local era de domínio municipal ou de particular, o que não se concebe é que não houve remanejamento ou construção de novas praças esportivas ou campo mesmo. Os nossos governantes perderam e estão perdendo grande oportunidade de mostrarem que realmente são competentes e ocupam postos públicos porque são preparados e preocupados com o bem-estar da comunidade, bem contrário da realidade vivida nos últimos tempos. Em algumas localidades existem os centros esportivos como os Parques I e II, o Jardim dos Estados, a Vila Rosa e as vilas Cachoeirinha, Erondina e o Terra Roxa. O estágio atual desses locais é horripilante. Sem comentários.

Na década de 80 quando apareceu à maquete do Estádio Douradão na Lanchonete Caneca, no centro da cidade, confesso que chorei de emoção ao ver tamanho projeto e o que representaria para o futuro da cidade e para toda região. Para meu espanto, o efeito foi contrário. Surgiu o Douradão e sumiu a prática de futebol de campo. Como não há cobrança, o comodismo, predomina nos gabinetes refrigerados dos nossos governantes. Como resultado desse descaso, é crescente a violência nos bairros periféricos, em que o principal entrave está no jogo de empurra-empurra de prefeitos e vereadores, apesar das promessas mirabolantes em épocas eleitorais.

Dourados conta com um dos mais modernos Estádios de Futebol do Brasil, um Centro Esportivo (Sete de Setembro), para preparar talentos na área em que aguça o intelectual do cidadão, o espaço é particular e o Douradão nem o Estado nem o Município assumem sua administração e a ruína toma conta daquele gigante de cimento armado em que à traça e a ferrugem, insetos, mosquitos da dengue, morcegos e afins nadam de braçada. A coisa é vergonhosa, mas como ninguém se manifesta parece que está tudo bem. 

A desculpa de que não há verbas, nem locais para construir campos ou centros esportivos, é balela. Falta vontade política e respeito para com a classe esportiva.

 

silvajunior1@ibes.com.br ou  jonas.silva1965@bol.com.br