Perolas do Rádio

 

 

Maratona do Fogo

 

 

Esse fato aconteceu e também marcou a década de 80 do rádio douradense entre os seguintes personagens: Janes Estigarribia, Toninho Bonfá, Édio Pedroso e o glorioso Daniel Santos. O Bonfá vivia a espreita de estrear nos microfones da Rádio Caiuás AM 1250 khz, fazia algum tempo. De tanto insistir ele obteve aprovação da direção do  gerente da emissora Édio Pedroso para comandar um programa dominical das 8h às 11h30.

Quando o projeto foi aprovado, o Bonfá saiu a campo atrás de patrocinadores. Numa tacada conseguiu vinte e cinco empresas e a emissora esperava uns oito, no máximo dez, cada empresa investia cem a cento e vinte reais por cota. No dia da estréia do programa, vinhetas prontas, produção acesa, chamadas de cinco em cinco minutos, estava tudo certo.

Na mesma data da estréia do Caiuás na Estrada, havia a Maratona do Fogo e o Garriba sentiu que poderia fazer a cobertura da tradicional corrida e o Édio se viu num enroscada. Estréia do programa do Bonfá e a cobertura da Maratona do Fogo. Para não deixar ninguém no meio da estrada, o bom cuiabano, vascaíno, usou da boa política para agradar o Toninho e o Garriba. A semana foi tumultuada. Na sexta-feira, os três se reuniram e chegaram ao um consenso: o programa iria ao ar e o Garriba com o Daniel Santos iriam entrar com flashes da corrida, cobrindo o trajeto entre Fátima do Sul e Dourados.

No domingo a dupla seguiu no Fiat 147 (unidade móvel da emissora) para Fátima do Sul às 4h, a corrida saia da Praça Central, a partir das 8h. Ao iniciar o programa, o Toninho Bonfá comandou o cerimonial, muito bonito por sinal, com frases de efeito soltou a primeira música e abriu para a externa chamando a dupla. O combinado seria que cada entrada seria de no máximo dois e meio a três minutos por flashes. Exatamente às 8h10, o Garriba pediu passagem com informações da Cidade Favo de Mel, foi aí que a maionese desandou.

O Garriba entrou no ar e não deu chances para o Toninho falar no estúdio, ou seja, desligou o retorno da rádio e mandou ver, narrou toda a corrida da saída em Fátima do Sul à chegada em frente ao Corpo de Bombeiros em Dourados, mais de três horas ininterrupta. O prédio da rádio saía fumaça dada a pressão, revolta e o desespero do Bonfá, que havia entrevistado patrocinadores, e “trocentas” recomendações aos amigos e familiares para ouvirem o programa, deu tudo errado!

O Pedroso, ao perceber a caca, saiu de casa sem dizer para onde ia e o balaio pegando fogo. Esse fato hoje é motivo de piada no meio, mas naquela época foi um sururu medonho. O Garriba ficou uns três meses sem ir à emissora, o Daniel se esquivou dizendo não ter nada com o peixe, o Caiuás na Estrada se firmou com um dos mais ouvidos nos domingos e a Maratona do Fogo, coitada, nunca mais recebeu a atenção que merece do querido Toninho Bonfá.