Pérola do rádio

 

Catatumba...

 

...Diz o adágio popular que quem conta um conto aumenta um ponto. Bem, a coisa é mais ou menos assim mesmo! É assim que funciona! Essa coluna tem por meta também homenagear os profissionais do rádio douradense e da região. A iniciativa não nasce com o intuito de diminuir e muito menos “escrachar” personagens que serão mencionados a partir de hoje neste espaço. Aliás, os autores dos fatos foram consultados previamente e autorizaram as respectivas publicações. Iniciamos esta série de “causos” em que nós radialistas pisamos no tomate e marcamos a história dos ouvintes e dos “cornetas”, os nossos próprios colegas de plantão. Muitos fatos não são do conhecimento geral, por isso criamos essa coluna, com a idéia de relembrar e ao mesmo tempo homenagear o rádio, um dos maiores veículos de comunicação de massa do planeta. Vamos nos reportar ao início da década de 80. Rádio Caiuás, AM, 1250 khz, em Dourados. A equipe de esportes da emissora transmitia uma partida de futebol, válida pelo Campeonato Estadual da Primeira Divisão, cujo escrete tinha o inesquecível e saudoso José Guerreiro, Velho Tatau, no comando. Na técnica José Cloves Braga. Ocorre que o Braguinha tinha desejo ardente de falar no microfone. Num certo domingo, o plantonista não apareceu e a jornada esportiva estava desfalcada. O Braga, muito fominha, mais do que depressa puxou o microfone para a mesa de som e soltou o gogó. Estava tudo indo muito bem. Bem demais, diga-se de passagem. A equipe era composta, além do José Guerreiro e do Cloves Braga, também conhecido por Ratão, pelo Fabinho Caixote Dorta. De cinco em cinco minutos no giro do placar ou quando um gol era marcado nos campeonatos paulista, carioca, paranaense, gaúcho, mineiro, nordestino, dentre outros, lá estava o Ratão, tirando resultados por meio do rádio-escuta, situação em que o plantonista sintoniza e fica de ouvido grudado em outra emissora como Bandeirantes, Globo, Record dentre outras para informar os ouvintes e ilustrar a transmissão esportiva. Passado os primeiros vinte minutos, a audiência da transmissão lá em cima, todo mundo empolgado, principalmente com a boa campanha do Clube Atlético Douradense (CAD) e bola para lá e bola para cá, eis que chegou o momento hilário. Num dado momento, o Ratão abre o microfone, entra na transmissão e diz, tem gol! E o narrador (Caixotinho) termina o lance e chama o plantão: Pois não Cloves, o gol acontece e a Caiuás informa! Entra o Ratão: Gol em Catatumba, e segue: Catatumbense um, São Paulo zero, este jogo é válido pela primeira rodada da primeira fase do Campeonato Paulista. A rádio fica fora do ar por alguns segundos. Retorna o Fabinho e o Velho Tatau rachando o bico e não contendo o riso. O jogo era realmente pelo paulistão e envolvia o Catanduvense e o Tricolor do Morumbi. O Cloves, na correria, foi traído por um ruído na sintonia, em vez de ficar quieto quis adivinhar. Deu no que deu. Até hoje a pisada é motivo de sarro entre o pessoal da latinha. Moral da história, nunca se deve acreditar no que se vê e nem no que se ouve de pronto.       

 

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